Deepfakes corporativos: como fraudes por voz e vídeo já atingem empresas brasileiras

Um funcionário do setor financeiro entra em uma videochamada. Do outro lado, o diretor da empresa, mais dois colegas do alto escalão, todos com a câmera ligada. As vozes são as de sempre, os gestos também. No fim da reunião, vem a instrução: fazer uma transferência bancária, com urgência, para fechar uma aquisição confidencial.
O funcionário faz.
Só depois descobre que ninguém naquela chamada era real. Todos os rostos e vozes tinham sido recriados por inteligência artificial, a partir de vídeos públicos dos próprios executivos. O prejuízo passou de 25 milhões de dólares, transferidos em poucos minutos para contas controladas por criminosos. O caso, ocorrido em uma multinacional de engenharia em Hong Kong, virou um dos exemplos mais citados quando se fala em fraude corporativa com deepfake, e não é um caso isolado.
Se a sua primeira reação é pensar que isso está longe da realidade da sua empresa, vale olhar para os números antes de se sentir seguro. O Brasil, especificamente, tem se tornado um dos lugares onde esse tipo de golpe mais cresce no mundo.
Os números mostram que a ameaça já faz parte da realidade
Não é sensacionalismo. É o que mostram os relatórios mais recentes de órgãos de segurança e empresas especializadas em prevenção a fraudes.
A Polícia Federal identificou que o uso de deepfakes no país cresceu 830% entre 2024 e 2025 e que ferramentas de inteligência artificial já estão presentes em quase metade (42,5%) das fraudes financeiras registradas no Brasil.
O Identity Fraud Report 2025-2026, da Sumsub, vai na mesma direção: aponta um crescimento de 126% em fraudes com deepfakes e identidades sintéticas no país em um único ano, com o Brasil concentrando cerca de 39% de todos os casos detectados na América Latina, uma taxa cinco vezes maior que a dos Estados Unidos.
A Serasa Experian registrou alta de 150% nas tentativas de fraude envolvendo manipulação de vídeo e áudio no último ano. E a Febraban deu nome ao fenômeno: "Golpe do CEO 2.0", quando o criminoso simula a voz de um executivo por telefone ou por áudio de WhatsApp para autorizar pagamentos. Só em 2025, esse tipo de golpe teria causado cerca de R$ 1,2 bilhão em prejuízos a empresas brasileiras.
E um dado que talvez seja o mais desconfortável de todos: pesquisas mostram que menos de 1% das pessoas consegue identificar corretamente um conteúdo falso gerado por IA, seja foto, áudio ou vídeo. O problema não é a falta de atenção da sua equipe. É que, a olho nu, essa tecnologia já engana quase todo mundo.
Como funcionam os golpes com deepfake
Diferentemente de um phishing tradicional, cheio de erros de português e links suspeitos, o golpe com deepfake é paciente e bem construído.
Primeiro, o criminoso coleta material de voz e vídeo do executivo que vai clonar. Não precisa de muito: entrevistas, palestras, vídeos no LinkedIn ou no Instagram já são suficientes. Com poucos minutos de gravação, ferramentas de IA generativa treinam uma voz sintética quase indistinguível da original e, em muitos casos, já é possível recriar até a imagem em vídeo.
Depois vem a parte da engenharia social: o golpista reúne informações reais sobre a rotina da empresa, nomes de fornecedores, valores plausíveis e algum motivo de urgência que combine com o momento do negócio. É essa mistura de tecnologia com pesquisa que torna o golpe convincente.
No fim, o pedido costuma seguir o mesmo padrão: uma transferência fora do processo normal, uma senha ou uma aprovação que "não pode esperar".
Casos reais mostram que ninguém está imune
Executivos de alto escalão em empresas globais já foram alvo dessa tática mais de uma vez.
Em um dos casos mais conhecidos, o presidente de uma montadora italiana de luxo teve a voz clonada em uma conversa por WhatsApp sobre uma suposta aquisição. O golpe só foi descoberto porque um dos executivos envolvidos desconfiou e fez uma pergunta pessoal que o impostor não soube responder.
Em outro episódio, criminosos criaram uma reunião falsa no Microsoft Teams usando a voz clonada e imagens públicas do presidente de um dos maiores grupos de publicidade do mundo, na tentativa de convencer um líder da empresa a transferir dinheiro e dados sensíveis.
Se isso acontece com companhias desse porte, cercadas por equipes de segurança robustas, vale pensar no que acontece com pequenas e médias empresas brasileiras, que, segundo os próprios relatórios do setor, são o alvo preferencial desse tipo de fraude justamente por terem processos de verificação mais frágeis e uma cultura de segurança digital ainda em construção.
Por que sua empresa pode ser a próxima
O que mudou nos últimos anos foi o custo do ataque.
Criar um deepfake convincente hoje não exige mais conhecimento técnico avançado, equipamento caro ou uma equipe de especialistas. Basta um punhado de minutos de vídeo público do seu diretor financeiro e uma ferramenta de IA à qual qualquer pessoa consegue ter acesso.
Enquanto isso, boa parte das empresas brasileiras ainda trata a segurança da informação como um assunto de TI, resolvido uma vez e esquecido, em vez de tratá-la como parte da estratégia do negócio.
É exatamente essa distância entre a sofisticação do ataque e a maturidade da defesa que o crime organizado está explorando, combinando voz, vídeo, documentos falsificados e engenharia social em golpes cada vez mais elaborados.
A pergunta, hoje, não é mais se isso pode acontecer com a sua empresa. Os números já responderam: é uma questão de quando.
Como proteger sua empresa contra esse tipo de fraude
A boa notícia é que existem barreiras reais e acessíveis para reduzir bastante essa exposição.
Vale começar pelo básico: nenhuma solicitação financeira sensível deveria ser aprovada apenas com base em uma ligação, um vídeo ou uma mensagem. Sempre confirme por um segundo canal previamente validado e nunca pelo contato indicado pela própria pessoa que está solicitando a transferência.
Além disso, fazem toda a diferença:
- uma gestão de identidade e acesso bem estruturada;
- autenticação em múltiplos fatores (MFA);
- aprovações em mais de uma etapa;
- monitoramento da segurança de endpoints e do e-mail corporativo;
- firewall gerenciado capaz de identificar comportamentos suspeitos na rede.
Nada disso substitui, porém, o treinamento constante das equipes financeira e executiva, principais alvos desses golpes.
E nenhuma dessas medidas funciona de forma isolada. O que realmente protege uma empresa é contar com um parceiro de tecnologia que trate a segurança como parte da transformação digital do negócio, e não apenas como mais um investimento em TI.
A inteligência artificial também pode ser sua aliada
A mesma inteligência artificial que hoje viabiliza esse tipo de golpe também pode ser utilizada para detectá-lo e bloqueá-lo.
A diferença entre ser a próxima vítima e estar protegido está em ter ao lado da sua empresa um parceiro que compreenda tanto as ameaças quanto as soluções.
É esse o papel que a Theo Tech assume junto aos seus clientes. Como parceira estratégica em transformação digital, unimos consultoria especializada, gestão de identidade, firewall gerenciado, segurança de endpoints e suporte inteligente para blindar a operação contra as ameaças de hoje e as que ainda estão por vir.
Sua empresa está preparada?
Sua empresa sabe, com certeza, se reconheceria a voz de um impostor antes que ela custasse caro demais?
Fale com a Theo Tech e descubra, em um diagnóstico, onde estão os pontos cegos de segurança da sua operação, antes que alguém mal-intencionado os encontre primeiro.
